sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Núcleo Regional de Educação esclarece o que é um colégio cívico-militar

A manhã iniciou agitada em frente ao Colégio Cristo Rei em Guarapuava. 

Cerca de 200 alunos protestaram conta a implementação do modelo cívico militar proposto às 27 turmas do 6° ao 3° ano.

As manifestações ocorreram durante audiência pública que reuniu pais, professores, funcionários da escola e alunos maiores de 16 anos nesta quinta (10). 

De acordo com o Núcleo Regional de Educação, a votação teve início às 8h e terminou às 19h. No entanto, conforme Gabriela Victoria de Paula Landes, integrante do Grêmio Estudantil ‘Raízes da Educação’, os estudantes não haviam sido consultados. 

Sendo essa uma das maiores reclamações dos estudantes.

“Nós alunos temos voz, temos opinião.” Além disso eles questionavam a necessidade da implementação do colégio cívico. 

De acordo com os discentes, ‘a escola têm professores que estudaram o suficiente para ensinarem a comunidade de alunos. 

No entanto, durante a tarde de hoje (10). O professor Marlon, que está à frente do NRE, que esclareceu como ‘funciona’ os colégios cívico-militares. 

“A única mudança no ensino é a carga horária a mais na matriz curricular. Os alunos vão começar a ter a disciplina de ‘cidadania e civismo’. Não se altera o quadro de professores e funcionários. Não existe uma mudança muito significativa no ensino. O que muda é a presença dos militares.” 

Porém este é outro questionamento dos manifestantes. 

O fato de terem “desconhecidos”, como se referem aos militares, que podem vir a estar presentes no cotidiano do colégio é motivo de incômodo. 

“A gente não precisa de regime militar. Não queremos um desconhecido que nem estudou pra ser professor invadir a nossa sala de aula”. 

Conforme o Núcleo, se aprovado o modelo cívico no colégio Cristo Rei, cerca de 18 militares podem integrar, gradativamente, o quadro de funcionários da escola. 

Eles viriam para contribuir e auxiliar as demandas que já existem no local. 

“Gerindo o espaço físico e protocolos com os alunos. Contudo jamais iriam para escolas profissionais que não tivessem o devido treinamento de trato com esses alunos”. 

COLÉGIOS CÍVICO-MILITARES EM GUARAPUAVA 

Em Guarapuava há três colégios cívicos-militares. São o Heitor Rocha Kraemer, o Mahatma Gandhi e o Manoel Ribas. Conforme o Governo do Estado, a previsão é de que haja no Paraná pelo menos 200 colégios cívico-militares até 2023.

Conforme o Núcleo Regional de Educação, diferente dos demais colégios cívicos do município, que recebem custeio do Governo do Paraná, o gasto do Colégio Cristo Rei seria do Governo Federal. 

Já que a iniciativa é do Ministério da Educação e Cultura (MEC) com apoio do Ministério da Defesa.  

Esses colégios têm por objetivo implantar o modelo de gestão de excelência em unidades escolares públicas do ensino regular. 

Conforme o Governo Federal, a adesão ao programa ocorre de forma voluntária, pelos estados, municípios e pelo Distrito Federal. 

“Além disso, o programa é um conjunto de ações direcionadas ao fomento e ao fortalecimento de uma escola a partir de um modelo de gestão. Atua nas áreas educacional, didática pedagógica e administrativa. O programa é complementar a outras políticas de melhoria da qualidade da educação já existentes. Seja no nível nacional, estadual ou municipal ou distrital”. 

De acordo com o Núcleo, o Colégio Manoel Ribas, por exemplo, que fica no Centro de Guarapuava, desde que houve a implementação do modelo o colégio teve melhorias.

“O Colégio Manoel Ribas não tinha procura de matrículas por conta da localização. Hoje nós temos lista de espera. Isso ocorre no Mahatma e no Heitor. Então sim, a gente observa que existe uma progressão, que reflete no comportamento dos alunos. Além disso, nossos professores são ótimos docentes.” 

COAÇÃO

Foi questionou se a presença de militares no colégio não poderia fazer com que alunos e professores se sentissem coagidos ao tratar sobre determinados assuntos. 

No entanto o NRE de Guarapuava garante que apesar da adoção de regras diferenciadas não haverá censura. 

“Existe hoje uma falta de informação de como funciona o colégio militar. Então a gente percebe que existem muitas críticas porque não se tem conhecimento do que realmente acontece dentro de um colégio militar. Existe muito respeito. Existem regras diferenciadas, isso a gente tem que deixar bem claro. Contudo na terça (8) tivemos uma reunião no colégio onde expomos todas essas questões.” 

A GENTE RESPEITA, COMPREENDE E ACOLHE A MOBILIZAÇÃO.

O Núcleo ressaltou que os estudantes tinham o direito de fazer a manifestação. 

Mas como estavam em horário de aula, representantes do NRE e da patrulha escolar estiveram no local para desmobilizar o protesto. 

Dessa forma os alunos que se negaram a deixar a ação tiveram os pais informados.  

Além disso o Núcleo orientou que tanto os pais quanto os estudantes buscassem por mais informações sobre os colégios militarizados. 

“A gente pede que pesquisem mais para analisar que há boas práticas em outras cidades. O Núcleo de Educação está aberto para esclarecer quaisquer dúvidas a qualquer cidadão”.

Fonte: RSN

DA REDAÇÃO/ MARIA FARIAS

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