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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

PARANÁ - Candidatos que viajaram se revoltam após suspensão de prova do concurso da Polícia Civil do Paraná: 'Falta de respeito'

A suspensão da prova do concurso público da Polícia Civil do Paraná na madrugada deste domingo (21).

Horas antes da avaliação, revoltou candidatos que viajaram até Curitiba de outros estados, como Ceará, Piauí e Pernambuco, e também do interior do Paraná.

Eles dizem que vão cobrar na Justiça os prejuízos que tiveram com as despesas de viagem. 

Mais de 106 mil pessoas estavam inscritas para a prova presencial deste domingo. 

São 400 vagas para as funções de delegado, investigador e papiloscopista.

Polícia Civil do Paraná avalia adotar medidas legais contra responsáveis por suspensão de concurso público

UFPR troca coordenador do Núcleo de Concursos após suspensão das provas

O comunicado da suspensão foi publicado às 5h42 deste domingo, horas antes de começar a prova do concurso, que ocorreria em 350 locais em Curitiba e 19 em outras cidades do estado.

A justificativa do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná (NC-UFPR), que cancelou unilateralmente a prova, é a de que havia risco à saúde dos participantes. 

Leia o posicionamento no fim da reportagem.

"Foi horrível, a gente nem acreditou. Falta de respeito com os concurseiros. 

Estou bem frustrado mesmo", afirmou o biólogo Diego Lins Dourado, de 29 anos, que viajou mais de 3 mil km de Camaragibe (PE) a Curitiba.

Ele e mais dois amigos que também fariam a prova calculam prejuízo de mais de R$ 2,5 mil para cada. 

O grupo chegou a Curitiba na quinta-feira (18). 

Eles viajaram de avião por mais de 10 h, fazendo conexões em Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS).

"A gente não veio para fazer turismo. Nos preparamos para vários concursos e isso acaba atrapalhando nossos estudos", explica o biólogo, que tenta uma vaga para investigador. 

Ele diz se preparar para pelo menos outros quatro concursos.

O casal Ulisses e Ana Piauilino viajou mais de 5,5 mil km, saindo de Parnaíba (PI). 

Eles percorreram 340 km de carro até Teresina (PI), pegaram um voo até Foz do Iguaçu, com escala em São Paulo (SP), e depois encararam mais 670 km de ônibus até Curitiba.

"Praticamente um dia e uma noite de viagem. Sinto muita tristeza e frustração, fomos pegos de surpresa. Um completo absurdo por parte da banca que teve tempo suficiente para se preparar", indica.

Ele diz ter gasto R$ 5 mil com a viagem. "Prejuízo material e dano moral. Dois anos estudando, abrindo mão de lazer e de momentos com a família", afirma.

O autônomo Thellisson dos Santos Alves, que mora em Cuiabá (MT), viajou por 32 horas de motocicleta com um amigo até Curitiba. 

Eles chegaram na noite de sábado e não tinham nem lugar para dormir. 

"Um motoqueiro de delivery conseguiu lugar na casa dele pra gente não ficar na rua. Hotel estava muito caro. Tirei dinheiro de onde não tinha para viajar. Vou levar uns quatro meses para pagar. É desumana [a suspensão da prova]", conta.

Candidatos do interior do Paraná

A advogada Nagila Bou Ltaif Guimarães, de 33 anos, de Foz do Iguaçu, no oeste do estado, cruzou o Paraná junto com três amigas para fazer a prova. Elas chegaram no sábado (20).

"Por que não se planejaram?", questiona. "Fomos conseguir acessar o local de prova só ontem chegando a Curitiba, já meio apreensivas. Aí hoje vem a suspensão. Tremenda falta de respeito. Fiquei com muita raiva", afirma.

Mauro Adriano Favoreto, também advogado, conta que saiu Mandaguari, no norte do estado, para fazer a prova em Curitiba. 

Ele passou a noite em Joinville (SC) e se deslocaria até a capital do Paraná na manhã deste domingo.

Favoreto diz que chegou a fazer uma reserva em um hotel de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, para a noite deste domingo por causa da dificuldade em conseguir vaga - e pelo preço - na capital.

"O que mais me indigna mesmo é cancelar no dia, porque os motivos são muito compreensíveis, mas isso tinha que ser feito com antecedência. Tem muita gente que se preparou e gastou muito dinheiro com locomoção e hospedagem", desabafa.

Cobrança dos prejuízos

Para o advogado Wilson Accioli Filho, os candidatos têm de ir à Justiça exigir indenização pelos prejuízos tanto do Governo do Paraná quanto da UFPR.

"O argumento jurídico que justifica eles serem indenizados com os custos é porque houve aquilo que chamamos de omissão fiscalizadora pela previsibilidade e pela possibilidade de evitar esses danos causados a terceiros. Ao longo da semana o governo garantiu que todos os requisitos de segurança sanitárias seriam observados. Eles poderiam não ser responsabilizados se fosse algo imprevisível", explica.

Suspensão

Conforme documento, a organização alegou que durante "a última checagem realizada na madrugada" foi constatado que não havia condições de segurança indispensáveis para a realização da prova em todos os locais de Curitiba e Região Metropolitana.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, ainda de acordo com o texto, tais condições poderiam "colocar em risco a integridade das avaliações e o tratamento isonômico dos candidatos".

A pandemia já tinha provocado duas alterações na data de realização da prova.

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) informou por meio de nota, na tarde deste domingo, a troca do comando do NC-UFPR após o caso e que, até a divulgação da nova data, vai estabelecer condições para minimizar os transtornos ocorridos. Confira a íntegra.

"[A UFPR] lamenta e se solidariza com todos os candidatos, sobretudo os que se deslocaram para a participação nas provas, comprometendo-se a retomar o certame na maior brevidade e nas melhores condições para todos".

DA REDAÇÃO/ MARIA FARIAS

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