terça-feira, 5 de maio de 2020

MST do Paraná cria hortas orgânicas para doação de alimentos durante pandemia do Coronavírus famílias de Boa Ventura e Guarapuava também fazem parte da iniciativa

Acampamentos e assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná iniciaram, neste sábado (2), hortas comunitárias orgânicas para dar continuidade às doações de alimentos para famílias da cidade que já sofrem com o impacto da pandemia do coronavírus. Desde o início da pandemia, as comunidades paranaenses do MST doaram cerca de 85 toneladas de alimentos saudáveis a quem mais precisa. 
Os espaços coletivos de produção têm de 5 a 13 mil metros quadrados e foram iniciados nos municípios de Castro, Boa Ventura de São Roque, Pinhão, Clevelândia, Maringá, Guarapuava, Quinta do Sol, Centenário do Sul e Planaltina do Paraná. Em Cascavel, a comunidade Resistência Camponesa começou a Agrofloresta Antônio Tavares, com 10 mil metros quadrados. 
A data de início das produções foi escolhida como forma de homenagear o agricultor Antônio Tavares, assassinado pela Polícia Militar do Paraná no dia 2 de maio de 2000 no que ficou conhecido como massacre da BR 277. Antônio Tavares Pereira tinha 38 anos e era pai de 5 filhos. A violência policial ainda deixou cerca de 300 feridos naquele episódio.
“Nosso jeito de rememorar esse passado de luto, é fazer luta pela reforma agrária para uma vida melhor não só para os camponeses, mas para uma vida digna e saudável nas cidades, e isso só é possível com a democratização da terra”, garante Ceres Hadich, assentada do norte do Paraná e integrante da nacional do MST. Além de garantir a continuidade das doações, para algumas comunidades a produção diversificada também vai contribuir para o autossustento das próprias famílias agricultoras. 
Ledir Weber mora há 3 anos no acampamento Valdair Roque, em Quinta do Sol, e conta que lá já se produz de tudo: hortaliças, legumes, batata, mandioca, feijão, amendoim, arroz. Ela fez parte do mutirão que iniciou a horta neste sábado: “Nós estamos num momento comunitário, para ajudar o próximo. Eu me sinto muito bem em estar ajudando todo mundo. Nesse momento de pandemia, nós estamos fazendo essa horta pra ajudar as comunidades que estão mais fracas”. 
O monumento criado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer em homenagem a Antônio Tavares e todas as vítimas do latifúndio também recebeu um ato simbólico neste sábado. Militante do MST estenderam grandes faixas e bandeiras do MST no local, que fica no quilômetro 108 da BR-277, onde Tavares foi assassinado. O monumento tem 10 metros de altura e foi inaugurada em 2001, um ano após o crime.  
Doações de alimentos também ocorreram em duas cidades do estado. Em São Miguel do Iguaçu, o acampamento Sebastião Camargo e o assentamento Antônio Companheiro Tavares entregaram 1 tonelada de alimentos na comunidade urbana Guanabara. Além dos frutos da terra, os agricultores e agricultoras levaram pães caseiros, produzidos na própria comunidade. Em Congonhinhas, os assentamentos Rosa Luxemburgo e Ho Chi Minh e o acampamento Carlos Marighella organizaram uma doação de alimentos para a aldeia Guarani Nhandewa, na Terra Indígena Ywy Porã/Posto Velho, da cidade de Abatiá. 
“Foi a primeira alimentação que chegou aqui pra gente depois dessa pandemia. A gente agradecer de coração, com muito carinho e respeito por vocês do MST. Apesar de a gente ser indígena, mas a gente está na mesma luta”, disse José Claudio Camargo, vice-cacique da aldeia, em mensagem enviada ao MST. 
Confira mais informações sobre as hortas comunitárias da nossa região:
Pinhão 
“É uma horta orgânica e comunitária, vamos trabalhar todos juntos!”, resume a acampada Jandira, que vive no acampamento há 5 anos na comunidade Nova Aliança. Lá também foi inaugurada neste sábado a Horta Comunitária Antônio Tavares, com 5 mil metros. 
Guarapuava 
Com trabalho em mutirão, o acampamento Encontro das Águas iniciou a horta Antônio Tavares neste sábado. A plantação será num espaço de 5 mil metros. A comunidade é formada por 90 famílias e existe há 3 anos, na luta e na produção de alimentos. Perci faz parte da coordenação do acampamento, e conta qual é a produção da comunidade: “Nós produzimos, além da horta, feijão, milho, arroz, abóbora, pra tirar o sustento. Tudo orgânico, sem nada de agrotóxicos pra produzir um alimento mais saudável pra mesa de quem consome”. 
Boa Ventura de São Roque
O acampamento Claudete Vive também criou a Horta Comunitária Antônio Tavares. Com 65 famílias e dois anos de existência, comunidade já conseguiu fazer uma doação de 1,5 tonelada de alimentos a famílias urbanas que já passam por dificuldades por conta da pandemia. “Hoje eu me sinto uma pessoa fortalecida, que encontrou uma oportunidade, hoje eu me sinto uma pessoa realizada, mesmo acampado”, disse o camponês Rivail Domingues. O depoimento do agricultor é a prova de que a luta do companheiro Antônio Tavares valeu a pena, e que o sonho da terra repartida e da vida digna segue alimentando o coração do povo Sem Terra. 
Fonte: Porém.net
Da redação/ Sandra Laciuk


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