terça-feira, 31 de julho de 2018

Polícia pede prisão do pai do bebê Jonatas, por se apropriar do dinheiro de doações em Balneário Camboriú


A Polícia Civil de Joinville (SC) indiciou os jovens Renato e Aline Openkoski, pais do bebê Jonatas, pelos crimes de estelionato e apropriação indébita, cujas penas somadas podem chegar a 9 anos de prisão. 

A polícia também pediu a prisão de Renato, sob a justificativa de que ele é o principal articulador dos crimes e diante da constatação de que eles continuam praticando o estelionato arrecadando dinheiro por meio da sensibilização das pessoas. Além deles, o médico Danny César de Oliveira Jumes também foi indiciado pelo crime de falso testemunho.

Os objetos apreendidos pela polícia na residência do casal em um mandado de busca e apreensão em fevereiro, entre eles o carro avaliado em cerca de 140 000 reais; televisão, óculos, perfumes, camisas de time de futebol, roupas e brinquedos, foram remetidos ao Fórum de Joinville com a sugestão de que sejam leiloados e o dinheiro seja revertido ao tratamento da criança.

O casal estava sendo investigado pela delegada Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Joinville desde o começo deste ano sob a suspeita de desvio e mau uso do dinheiro arrecadado para o tratamento da doença do filho em campanhas na internet. 

Jonatas é portador da atrofia muscular espinhal tipo 1 (AME), uma doença genética rara, progressiva e extremamente incapacitante, que pode levar à morte em pouco tempo.

Com a ajuda de milhares de doadores desconhecidos e de celebridades como a atriz Danielle Winitz; as duplas Victor e Léo e Zezé di Camargo e Luciano; as apresentadoras Ana Hickman e Eliana, o cantor Luan Santana entre outros.

Os pais de Jonatas arrecadaram cerca de 4 milhões de reais em aproximadamente três meses – quantia mais do que suficiente para iniciar o tratamento do menino com o medicamento Spinraza, que promete estabilizar a progressão da doença e até mesmo recuperar movimentos perdidos em alguns casos. 

Cada dose da medicação custa em torno de 350 mil reais – são necessárias pelo menos quatro ampolas nos dois primeiros meses de tratamento, além das doses de manutenção a cada quatro meses.

O problema surgiu quando o casal Renato e Aline começou a alterar o padrão de vida, chamando a atenção dos doadores anônimos. 

De um lado, por meio das páginas nas redes sociais, a população pedia transparência e prestação de contas do uso do dinheiro. Do outro lado, Renato e Aline compraram um carro de luxo no valor de R$ 140 mil reais; mudaram de casa; trocaram os aparelhos de celular por modelos mais modernos; gastaram dinheiro em compras supérfluas, como óculos, perfumes, jóias e roupas para eles e não para o bebê.

A gota d’água aconteceu em dezembro do ano passado, na semana do Ano Novo, quando o casal viajou para Fernando de Noronha (um dos destinos turísticos mais caros do Brasil) com o dinheiro arrecadado na campanha, acompanhados do médico Danny César, de Balneário Camboriú. 

Só de passagens aéreas – pagas em dinheiro e à vista – foram quase 8000 reais.

Lá no arquipélago, passaram a virada do ano na disputada Pousada do Zé Maria, reduto de famosos, cujos ingressos da ceia estão à venda neste ano por 1.318 reais taxas para homens e 1.048 reais + taxas para mulheres.

Após a viagem, os doadores começaram a exigir prestação de contas – algo nunca feito pelos pais. 

Além disso, o casal nunca cumpriu um acordo judicial firmado com o Ministério Público e a Justiça de Joinville de fazer o depósito judicial do dinheiro arrecadado e de prestar contas mensalmente. 

Por conta disso, em janeiro, a Justiça bloqueou as contas do casal e, desde então, o dinheiro tem sido liberado judicialmente apenas após a apresentação de notas ou documentos que comprovem os gastos.

O médico Danny César foi indiciado por falso testemunho, com pena prevista de dois a quatro anos de prisão. 

À polícia ele afirmou que doou 10 000 reais para que o casal fizesse uma viagem à Fernando de Noronha, fato que foi desmentido após a apreensão dos celulares de Renato e Aline. 

Em uma troca de mensagens, Aline diz ao médico que um jornalista entraria e contato e pede que ele reforce a versão que eles deram ao fato, confirmando a suposta doação do dinheiro.

O Ministério Público informou que ainda não recebeu o inquérito sobre o caso – o documento foi protocolado na sexta-feira (27) e deve ser distribuídoentre hoje e amanhã. 

A partir da distribuição, o Ministério Público tem cinco dias para se manifestar sob três possibilidades: o MP acata a acusação da Polícia Civil e denuncia o casal formalmente à Justiça; o MP recebe a acusação mas pede novas diligências e novos depoimentos ou o MP entende que não há crime e arquiva o caso. Para Geórgia, lidar com um caso tão incomum foi um desafio.

“Fizemos o melhor para reconstruir a verdade dos fatos e dar satisfação aos contribuintes desta campanha”, afirmou.

Da Redação/Maria Farias


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